ABEPH participa de painel sobre a descarbonização do setor portuário no Nordeste Export 2024


“A ABEPH dialoga com 15 autoridades portuárias públicas do país, e essa realidade [de investimentos em descarbonização] não tem esse nivelamento porque o setor passa por algumas dificuldades. A primeira delas é a infraestrutura deficiente dos portos. Muitos portos brasileiros carecem de modernização, e isso dificulta a implementação de tecnologias que incentivem a baixa emissão de carbono”, afirmou a Diretora Executiva da ABEPH, Gilmara Temóteo, durante o painel “Descarbonização na navegação e no setor de infraestrutura portuária”, do Nordeste Export 2024.

Além de Gilmara, participaram do painel Marcio Guiot, presidente do Complexo Portuário de Suape, e Hugo Figueiredo, presidente do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Gilmara destacou a visão global sobre o setor público portuário, apontando que os recursos financeiros limitados são um dos principais entraves para a descarbonização do setor.

Para ela, a descarbonização “requer investimentos tanto na área de infraestrutura quanto na área de tecnologia e capacitação, e esse custo inicial não é baixo”, afirmou.

“Dentro disso, acredito que podemos destacar a falta de políticas públicas robustas para o setor, especialmente no que diz respeito aos incentivos econômicos”, completou.

Já o presidente do Complexo Portuário de Suape, Marcio Guiot, destacou as diversas ações do porto para atingir a meta de emissão de carbono zero até 2038. Entre elas, iniciativas focadas na eletrificação, soluções para reduzir as emissões dos navios e dos caminhões, além do desenvolvimento de uma infraestrutura que privilegie a sustentabilidade.

Outra ação tem a ver a governança do porto, responsável por coordenar todas as iniciativas. A previsão é que no início de julho seja instituído o Comitê Permanente de Resiliência Climática, que vai monitorar as ações continuamente.

“Esse tipo de iniciativa não pode ser interrompida, não importa o que aconteça, não importa quantos gestores venham pela frente até 2038. Precisamos garantir que essas ações sejam monitoradas. Esse comitê será o órgão dentro da administração responsável por fazer o follow-up das ações, propondo novas iniciativas e assegurando a sua continuidade”, afirmou Guiot.

Conselho Feminino do Grupo Brasil Export

Na noite de quinta-feira (21), Gilmara Temóteo recebeu o pin de presidente do Conselho Feminino do Grupo Brasil Export. Este conselho é um dos cinco conselhos técnicos do fórum, todos dedicados ao setor logístico de portos e infraestrutura, com o objetivo de promover estudos, discussões e compromissos para a construção de um país mais competitivo.

A cerimônia ocorreu durante as atividades do primeiro dia do Nordeste Export, realizado em Fortaleza, Ceará. A existência de um conselho dedicado às questões femininas reforça a importância de incentivar e apoiar a participação das mulheres no setor portuário e na navegação.

Além de sua nova posição como presidente do Conselho Feminino do Brasil Export e Diretora Executiva da ABEPH, Gilmara também atua como Secretária Geral Executiva da Seção Nacional da PIANC.